Paternidade de Deus, Paternidade do Homem

09/08/2015 10:54

Um dos aspectos mais marcantes acerca da pessoa de Deus é a sua perfeição.

Ele é perfeitamente Justo, totalmente santo, completamente verdadeiro, perfeitamente completo e verdadeiramente bom, entre outras qualidades que poderíamos passar aqui por horas descrevendo.

Em Deus, não há sombra de imperfeição. Mesmo assim, muitos escolhem julgá-lo e culpa-lo pelas suas próprias mazelas e dizem que, se Deus realmente fosse bom não haveria tanta maldade no mundo.

Mas há algo especialmente diferente aqui que quero lhes expressar nesta mensagem de hoje: bem verdadeiro é que Deus é Pai. Mas Ele não é somente um Pai humano, imperfeito, que desconhece muitas das angústias de seu filho, Ele é um Pai completo, perfeito.

Sendo tão perfeito, é o modelo perfeito para aqueles que são pais terrenos e a completude para aqueles que, como eu, não tem mais um pai nesta terra.

Hebreus 12.2 diz que podemos olhar firmemente para Deus, sendo Ele o modelo perfeito. Pais que criam seus filhos segundo este modelo são pais que efetivamente tem sucesso e criam filhos que se orgulham de seus pais. Não importa como você, que é pai, tem criado seu filho, crie-o segundo os princípios da Palavra de Deus. Este princípio diz que nossas atitudes importam muito mais que nossas palavras. Charles Kettering diz que todo o pai deveria lembrar que seu filho um dia seguirá o seu exemplo ao invés de seu conselho.

Para aqueles que não tem mais seus pais por aqui a Palavra de Deus para hoje é: “Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá”. Salmos 27:10. Sim, Deus nos acolhe.

Neste sentido, falando nesta data tão especial, quero usar uma das histórias mais bonitas de todos os tempos que é a Parábola do Filho pródigo. Para isso, leiamos o texto que está em Lucas 15:11-32, com bastante atenção:

- Esta história que lemos, aparentemente, numa visão geral, parece uma história de injustiça.

- Parece até que temos aqui um pai omisso, que não questiona a saída de seu filho da casa paterna.

- Deixem-me dizer porém. Olho para esta família e ela representa aquilo que muitos de nós somos. O Pai, que aqui é representado por Deus havia ensinado tudo o que o filho precisava, certamente havia dado a ele a melhor educação, sempre havia comida em abundância e os conselhos paternos sempre foram abundantes.

- Mas isto não foi o suficiente para que o filho aprendesse. Pais, deixem-me dizer-lhes; vocês podem dar tudo aos filhos de vocês e mesmo assim alguns podem proceder de maneira completamente diferente daquela que vocês esperavam. Isto acontece porque o ser humano foi criado por Deus com direito de escolha.

- O Pai então pensa, já fiz tudo o que podia (boa educação, bons conselhos, bons ensinos, bons relacionamentos familiares) e não posso fazer mais nada. Preciso deixá-lo ir.

- O Apóstolo Paulo cita uma passagem sobre deixar ir ao mundo afim de que a alma possa ser salva no final

Seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus (1 Coríntios 5:5), ou em outra versão: “Entregue ao domínio de Satanás o homem que assim pecou, para a destruição de suas cobiças carnais; a fim de que seu espírito se possa salvar no dia do senhor Jesus.”

- O pensamento paulino era que o autor de tão infame pecado fosse imediatamente excluído da comunhão da igreja, entregue à sua própria sorte, sofresse fora da proteção de Deus, sob o domínio do príncipe das trevas, e viesse a cair em si, a arrepender-se e, finalmente, a ser recuperado na fé e salvar-se por ocasião da vinda de Jesus (Arnaldo Christianini)

- O Pai que ama o seu filho lhe dá o direito às suas próprias escolhas. Reparem que o Pai não era obrigado a dar ao filho a herança antes do tempo. É comum que os filhos recebam a herança somente após a morte do pai, antes disso não. Mas este homem, assim como Deus faz com o homem, deu ao filho o direito de escolha:

- “Porque não recebestes o espírito de escravidão para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção baseado no qual clamamos ABA PAI” (Hb 8.15)

- Penso que o primeiro ponto a ser considerado aqui é que quase todos nós fomos um dia, ou talvez ainda sejamos, como o filho mais novo, dizendo: “tenho direito à minha herança!” e então saímos pelo mundo afora.

Efésios 2:1 afirma categoricamente que andávamos perdidos em nossas transgressões e pecados.

- O impressionante é que muitas vezes não nos dávamos conta do quanto estávamos afundados. Vejo hoje famílias cujos relacionamentos estão completamente arraigados, homens e mulheres completamente afundados em vícios como a prostituição, drogas e um dos piores de todos, a bebida.

- Mesmo assim dizem: eu não mudo. Estou muito bem assim. Pergunto: a causa para isto está em Deus ou no homem?

- Escolhas erradas feitas ao longo da vida, como a do jovem da parábola, levam as pessoas para longe de Deus.

- E enquanto se está bem, gastando os recursos, está tudo bem e até aparenta felicidade. O problema vem quando os recursos acabam. Quando não há saúde, quando os relacionamentos se desfazem, quando a morte se aproxima, as pessoas de fato sabem o quanto nada são sem Deus e o quanto é miserável uma vida longe da casa do Pai.

- Mas sempre é tempo. Este jovem da parábola, apesar de todos os seus erros, num determinado momento tomou a decisão correta. Ele disse: Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’.

- Nos dias de hoje em que há tão grande falta de perdão muitos pais até mesmo diriam: acabou; você já gastou o que tinha e agora trate de se virar. Outros diriam: tudo bem, você pode voltar, mas não vai passar de um empregado como você mesmo disse e outros até receberiam como filho, mas cada vez que ele pisasse na bola diriam, olha, você já me aprontou uma vez tá, não vai ter segunda chance.

- Não este homem, ele disse: ‘Depressa! Tragam a melhor roupa e vistam nele. Coloquem um anel em seu dedo e calçados em seus pés. Tragam o novilho gordo e matem-no. Vamos fazer uma festa e comemorar. Pois este meu filho estava morto e voltou à vida; estava perdido e foi achado’.

- Para que você entenda melhor, nós somos o filho pródigo e este pai representa a figura do nosso Pai Celestial, nosso grande, bondoso e perfeito Deus.

- Ele está sempre de braços abertos, pronto para nos receber. Ele está preparando algo grande para seus filhos banquetearem com Ele, e nos dará, apesar de tudo o que fizemos, o melhor: porá um anel de ouro no nosso dedo, porá em nós vestes sem igual e reservou a melhor comida da festa.

- Nosso arrependimento diante dEle traz, para Ele, alegria. Nosso pecado nos separa, mas nosso arrependimento no aproxima.

- Ele não nos joga no rosto nossos erros, mas se alegra em exaltar nossas poucas virtudes. Hebreus 10:17 diz que Ele não traz mais à memória os nossos pecados.

- Mas este Pai fez mais por nós. Ele viu nossa condição, que não conseguíamos voltar sozinhos à Sua casa, então mandou Jesus para nos buscar. Ezequiel 16:60 fala figurativamente a nós: Contudo, eu me lembrarei da aliança que fiz com você nos dias da sua infância, e estabelecerei uma aliança eterna com você.

- Ele mandou o melhor que tinha em casa, o resgate mais alto foi pago para que pudéssemos regressar de novo à casa paterna. O mais profundo sacrifício foi feito para que possamos desfrutar o melhor.

- Muitos de nós vivem neste mundo como se nunca fosse importante voltar a casa do Pai. Vivem suas vidas como se Deus não importasse, mas sabem que no fundo Ele faz toda a diferença. Há dentro de cada um vazio que precisa ser preenchido e isto, meus amados, é saudade do pai.

- Quando já não podíamos mais voltar para Deus, Ele nos adotou como filhos novamente. Efésios 15 diz que “Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade”.

- Hoje é tempo de voltar! Muitos de nós vivem como o filho pródigo dizendo: Pai, quero a parte que me cabe da herança!

- Outros quem sabe, já pediram a sua parte da herança e estão agora comendo entre os porcos quando poderiam estar comendo na casa do pai.

- Mas o plano de Deus para nós como filhos amados não é que vivamos uma vida miserável. Nós somos especiais para Ele. Ele nos ama! Somos adotados por Deus, somos herdeiros e amados do nosso Pai celestial. Antes Jesus era unigênito, mas hoje é o primogênito, pois o Pai celestial nos amou e escolheu nos abençoar, somos seus filhos junto com Cristo.

- O mundo tenta nos corromper, injetando em nós uma alienação à rejeição, para deixarmos de acreditar nas promessas de que somos filhos, mas a Palavra de Deus nos dá a garantia de que somos filhos amados. E como filhos eleitos, podemos ter uma vida transformada, livres de toda condenação e jugo, tendo assim postura de filhos de Deus.

- Mais tarde, porém, o pai percebe que seu outro filho, o mais velho não está na festejando. Quebrando as expectativas, vai ao encontro desse filho e insiste para que ele entre e festeje. Diante da recusa e reclamação do filho, diz: “Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu. Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado”.

- Fechamos nossa meditação de hoje aprendendo mais sobre o caráter sensacional do nosso Grande Deus.

- Em primeiro lugar, Deus não age conforme as nossas expectativas, mas nos surpreende positivamente. Esperamos condenação, ele nos dá perdão. Esperamos rejeição, ele nos aceita. Em segundo lugar, Deus não nos força a ficar com Ele, mas nos dá a liberdade de nos afastarmos e aproximarmos conforme a nossa vontade. “Quer ir, vá; quer voltar, volte”. Por fim que, quando decidimos voltar para Deus, apesar dos nossos pecados, Ele nos recebe com amor e alegria, restaurando a nossa identidade e dignidade de filhos. Assim é a Paternidade de Deus sobre seus filhos.